| Acervo/Gazeta Press |
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| Anúncio da novidade e do nascimento do jornal
A Gazeta Esportiva |
É necessário retroceder na história,
voltar ao começo do século passado, para
conhecer a origem de A Gazeta Esportiva.
Antes de se transformar em um jornal diário e
independente integralmente dedicado aos esportes, nasceu
como um suplemento semanal. Foi um tablóide, distribuído
às segundas-feiras.
Era encartado no jornal A Gazeta, fundado em 16 de maio
de 1906 pelo poeta simbolista, advogado e jornalista Adolfo
Campos de Araújo. A Gazeta foi adquirida por Cásper
Líbero em 1918 pela quantia de 62 mil contos de
réis.
Cásper era um dos colaboradores do jornal e freqüentava
assiduamente a redação. Como proprietário,
deu início a inovadoras transformações
editoriais e já nas primeiras edições
sob sua direção fez-se notar as primeiras
mudanças, com colunas fixas de economia, política,
saúde, artes, literatura e um suplemento feminino.
As iniciativas abriram espaço para o noticiário
sobre futebol em proporções que superavam,
e em muito, as alcançadas por outros veículos.
Dessa forma, Cásper Líbero foi reconhecido
como o pioneiro desse jornalismo especializado no país.
E sua atuação não se restringia somente
às crônicas esportivas. Ele também
foi o organizador do primeiro campeonato de futebol amador
no Brasil.
A conseqüência reflete nos ótimos números
de venda de A Gazeta, que atinge a marca de 200 mil exemplares
por dia. Um número significativo, em proporção
à população paulistana da época.
O primeiro prédio de A Gazeta ficava na Rua Líbero
Badaró, zona central de São Paulo. Logo
ficaria pequeno para abrigar a estrutura crescente do
jornal. Com o lucro que obtém, Cásper constrói
um terceiro andar no prédio.
Com seu estilo empreendedor, Cásper inova e em
1925 realiza pela primeira vez no Brasil uma corrida pedestre
na qual todos, de quaisquer raça, credo, esportistas
ou não, podem participar. Nascia a Corrida de São
Silvestre criada por ele e que consagra seu tino amplo
e comercial.
A prova é inspirada na “March Flambeaux”
(Marcha Noturna de Atletas com Tochas Acesas), anualmente
realizada em Paris. Presenciada por Cásper na noite
de 31 de dezembro de 1924, a novidade chegou ao Brasil
no ano seguinte.
No jornal A Gazeta, Cásper trata de impulsionar
a publicação, trocando a antiga rotativa
por uma nova. A medida permite a veiculação
de suplementos e cadernos marcados pelo sucesso.
Numa tirada genial, o jornalista instala alto-falantes
no prédio da sede do jornal para que a população
de São Paulo pudesse acompanhar as transmissões
de jogos do Torneio Nacional de futebol da época.
Em 1922, mais uma inovação: como não
havia transmissão pela rádio, ele mandou
instalar alto-falantes no Vale do Anhangabaú, em
São Paulo, e por telefone narrou ao vivo do Rio
de Janeiro os lances de um jogo pelo campeonato sul-americano.
Foi a transmissão pioneira de uma partida de futebol.
A população paulista ouviu atenta e maravilhada
a novidade.
Cásper Líbero teve fôlego, ainda,
para fundar o Comitê Olímpico Brasileiro,
na companhia de outros esportistas. O jornalista se colocou
na linha de vanguarda da nova instituição
e se empenhou cada vez mais na realização
de grandes provas, que movimentavam o atletismo, a natação,
o boxe e o ciclismo.
Ficava cada vez mais forte a idéia de se lançar
um suplemento completo e dedicado exclusivamente aos esportes.
A Gazeta é visitada por técnicos norte-americanos,
que consideram o seu parque gráfico como o mais
completo e conseqüentemente, o mais bem impresso
do mundo na década de 30.
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| A Edição Esportiva, encartada em A
Gazeta, antecedeu o jornal que ganharia independência |
A Gazeta lança um suplemento de esportes, em 1928.
Não havia nada igual na imprensa brasileira.
Era mais uma iniciativa pioneira.
O primeiro número circula em formato de tablóide
e como suplemento publica notícias e comentários
sobre o esporte no Brasil e no mundo. A edição
vai às ruas e bancas pela primeira vez no dia 24/12/1928.
Essa data pode ser considerada como a primeira semente
de A Gazeta Esportiva. Ao lado do logotipo de A Gazeta,
vinha o selo Edição Esportiva. E na condição
de encartado vai às bancas todas as segundas-feiras.
Somente em 1938 é que aparece o selo de A Gazeta
Esportiva, no alto da página, e ainda ao lado de
A Gazeta. Em 1939, o suplemento trazia fotos coloridas
em várias páginas. Mais tarde, em 1941,
passaria a circular também aos sábados.
O noticiário esportivo cada vez mais crescia,
principalmente por que os esportes estavam em crescente
alta na demanda dos brasileiros.
O jornal era o mais bem impresso, vibrante e disputado
vespertino de São Paulo. Apresentava um quadro
completo sobre os resultados dos campeonatos esportivos
e comentários referentes a eles. Também
começou a ser distribuído simultaneamente
na cidade do Rio de Janeiro.
O visionário empreendedor Cásper Líbero
não pára por aí e, perspicazmente,
observa que os esportes puxam as vendas das publicações.
A Gazeta Esportiva, sob sua direção, ia
cumprindo progressivamente seu amplo objetivo de dar vazão
a todos os esportes, conquistando o merecido espaço
não só na sua pioneira mídia, como
em toda sociedade.
O mundo se desenvolvia, a tecnologia facilitava trabalhos
e como esperar que o irrequieto Cásper Líbero
pudesse sossegar?
Ele adquire prédio próprio com as indenizações
movidas e ganhas com sucesso por danos materiais ao jornal
quando foi alvo de “empastelamento”, com direito
à depredações e incêndio ,
destruindo a antiga sede do jornal. Constrói um
prédio de oito andares, totalmente dedicado ao
jornal (novamente um gol marcado por mais esse ineditismo
válido toda a América do Sul).
O edifício de A Gazeta é inaugurado em
3 de novembro de 1939, com o título de Palácio
da Imprensa. Lá estava abrigado desde a redação
do jornal, até o depósito das bobinas de
papel de impressão, além de uma estação
de rádio - embriã das atuais rádio
Gazeta AM e FM.
A Corrida São Silvestre começava e terminava
em frente ao Palácio da Imprensa. Campeões
brasileiros do futebol, da Copa e de outros esportes ali
desfilavam e celebravam suas conquistas.
No topo do prédio, estava instalado o então
famoso restaurante, “Roof” dos anos 40. Era
parada obrigatória de esportistas, colunistas,
artistas e os mais destacados membros da sociedade paulista
e brasileira, como Ari Barroso, um dos seus assíduos
freqüentadores. |