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09/08/2007
Montagem sobre foto de Djalma Vassão/Gazeta Press

Por Felipe Held, especial para GE.Net

Depois de ficar de fora dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro por não ter sido liberado pelo Phoenix Suns, o armador Leandrinho está de volta à seleção brasileira masculina de basquete para a disputa do torneio Pré-olímpico, que acontecerá entre os dias 22 de agosto e 2 de setembro em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Um dos destaques da franquia do Arizona, Leandrinho quer agora brilhar com a camisa verde e amarela na competição que premiará os dois finalistas com a classificação para os Jogos de Pequim-2008. A meta do jogador, assim como de toda a seleção nacional masculina, é pôr fim ao jejum de 12 anos sem participações olímpicas. Para isso, o atleta confia no conhecimento adquirido por ele mesmo e pelos compatriotas que atuam na NBA. “A experiência que estamos ganhando lá é muito boa e, agora, queremos colocar esse conhecimento em prática por aqui”, projetou.

Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.Net, Leandrinho criticou a situação por que passa o basquete masculino brasileiro, mas previu uma melhora caso a seleção, comandada pelo técnico Lula Ferreira, consiga uma das vagas disponíveis em Las Vegas para as Olimpíadas pela primeira vez desde 1996, nos Jogos de Atlanta, ainda com Oscar Schmidt. “Queremos com a nossa classificação para as Olimpíadas fazer o basquete brasileiro evoluir”, afirmou.

Eleito melhor sexto homem da temporada 2006/07 da liga norte-americana, Leandrinho também falou sobre a expectativa de sua quinta época na NBA. Com um discurso humilde, o brasileiro não escondeu o desejo de agarrar a vaga e deixar para trás a marca de ‘melhor reserva’, para se tornar titular de um dos times mais fortes da liga norte-americana. Além disso, ainda elogiou o trabalho feito pelos compatriotas Nenê Hilário, Anderson Varejão, Rafael ‘Baby’ Araújo e Marcus Vinícius na principal competição do basquete mundial.

Passos até a Liga

Leandrinho deixou o Bauru Tilibra em 2003 para se inscrever no draft da NBA e foi o 28º escolhido do recrutamento daquele ano. Selecionado pelo San Antonio Spurs e negociado em seguida com o Phoenix Suns, o jogador de 24 anos se tornou um dos xodós da torcida da franquia do Arizona, que o apelidou de Speedy González, em referência ao personagem homônimo do desenho animado Ligeirinho.

O sucesso do brasileiro no basquete norte-americano não tardou a aparecer. Logo em sua primeira temporada, Leandrinho foi titular em 46 dos 70 jogos da equipe na competição, marcando 550 pontos (média de 7,8 por partida). Na temporada seguinte, contudo, não conseguiu manter o bom ritmo e caiu para a reserva da equipe.

Mas foi na época 2006/07 que o armador viveu seu melhor momento na carreira. Embora tenha sido reserva em 62 dos 80 confrontos dos Suns na temporada, Leandrinho teve média de 32 minutos em quadra ao longo do torneio, marcando 1.444 pontos (18,05 por jogo). A conseqüência do desempenho foi o prêmio de melhor reserva da liga (sexto homem), tornando-se o primeiro brasileiro da história a receber uma condecoração individual na NBA.

Gazeta Esportiva.Net: Você foi o primeiro jogador brasileiro da história a receber um prêmio individual na NBA, justamente em uma época em que muitas portas estão se abrindo para o basquete do país. Até que ponto isso pode ajudar a levar mais atletas nacionais para atuar nos Estados Unidos?
Leandrinho Barbosa:
O prêmio foi muito importante para mim, trabalhei muito para ganhá-lo e todos do time me ajudaram bastante. Mas não só isso pode ajudar os jogadores brasileiros, e é importante falar da campanha que todos os brasileiros vêm fazendo na NBA. Desde que o Nenê entrou, a Liga vem olhando os jogadores do país de outra maneira. Esse rendimento que estamos apresentando por lá está sendo muito bom e queremos dar continuidade a esse trabalho. Temos muitos talentos aqui no Brasil, mas que não são reconhecidos. É muito difícil de eles irem para os Estados Unidos, e a forma mais fácil é a seleção brasileira.

GE.Net: Como você avalia o desempenho dos outros brasileiros na NBA?
Leandrinho:
Eles estão indo muito bem. Todos nós estamos trabalhando para isso e somos bem vistos nos Estados Unidos. Todos que estão lá tentam dar o melhor, trabalhando muito para sempre evoluir. O Marquinhos está chegando agora no time dele (New Orleans/Okla city Hornets) e depende apenas do próprio trabalho para conseguir o seu espaço no time.

GE.Net: E quanto ao Tiago Splitter, recém-draftado pelo San Antonio Spurs? Ele pode ter o mesmo sucesso que você, Nenê e Varejão estão tendo?
Leandrinho:
O Splitter é um bom jogador, bem experiente. A Europa é um centro bem diferente da NBA, mas tenho certeza de que ele vai se dar muito bem nos Estados Unidos. Foi escolhido por um time muito bom, que foi o campeão da última temporada. Se Deus quiser, as coisas vão dar muito certo para ele.

GE.Net: A ida de jogadores brasileiros para a NBA melhora o nível da seleção?
Leandrinho:
Com certeza. A experiência que estamos ganhando lá é muito boa e, agora, queremos colocar esse conhecimento em prática por aqui. Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Temos um time bem forte e precisamos aproveitar essa oportunidade.

GE.Net: Mas por outro lado, não fica mais difícil de o atleta poder representar o país, em relação às barreiras burocráticas que a liga impõe, como por exemplo o seguro?
Leandrinho:
Não atrapalha os jogadores, pois é um problema da CBB. Mas tenho certeza de que eles estão fazendo um bom trabalho para reconciliar todos os atletas. Até agora vem dando tudo certo.

GE.Net: Você passa grande parte do ano nos Estados Unidos. Mesmo assim, consegue acompanhar as competições que acontecem no Brasil?
Leandrinho: É muito difícil, porque temos muitos jogos e viajamos bastante. Fica complicado acompanhar, mas sempre que dá eu vou na internet e vejo como está o esquema por aqui.

GE.Net: E como você avalia o nível da modalidade?
Leandrinho:
Está fraco. Queremos fazer com que a nossa classificação para as Olimpíadas faça o basquete brasileiro evoluir. Vamos torcer para que isso aconteça.

GE.Net: Diferentemente de outros jogadores como o Nenê, você não toma partido nas batalhas políticas com a CBB. O que acha disso?
Leandrinho:
Não é bom, não é o que a gente quer ver, mas infelizmente aconteceu. Nunca tive problemas com a CBB e não tenho muito o que falar. O que a gente quer é esquecer o passado e viver o presente e o futuro.

GE.Net: O grupo todo está muito otimista com as chances de a seleção brasileira conseguir uma das vagas para Pequim-2008. E quanto ao desempenho nas Olimpíadas, já há alguma expectativa?
Leandrinho:
O que a gente quer é conseguir a vaga, independentemente de sermos os campeões ou os vices. Só depois vamos pensar em Pequim. Antes de tudo vem a classificação, que vai ser difícil, mas não impossível. Estamos aqui trabalhando forte e temos que aproveitar essa força.

GE.Net: Você não foi liberado pelo Phoenix Suns para disputar o Pan, mas mesmo assim compareceu na Arena Olímpica para assistir a alguns jogos. Como avalia o desempenho da seleção?
Leandrinho:
Os meninos fizeram um bom trabalho, assim como a comissão técnica. O conjunto foi muito bom, gostei de ver. Agora, queremos dar continuidade a esse trabalho no Pré-olímpico.

GE.Net: O Brasil tem condições de sediar os Jogos Olímpicos?
Leandrinho:
É o que a gente quer. O sonho de todo jogador de basquete e todo torcedor é ter uma Olimpíada no país. Vamos torcer para que isso aconteça.

GE.Net: Qual a sua expectativa para a próxima temporada nos Suns? O Raja Bell, titular na sua posição, passou por uma cirurgia. É a sua chance de enfim ser titular?
Leandrinho:
A cirurgia do Raja Bell não foi muito séria, e tenho certeza de que ele vai se recuperar rapidamente e se juntar novamente ao grupo. Mas se o técnico me colocar na quadra, vou dar o meu melhor para ajudar o time.

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