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Por Felipe Held, especial para GE.Net
Depois de ficar de fora dos Jogos Pan-americanos do Rio de
Janeiro por não ter sido liberado pelo Phoenix Suns, o armador
Leandrinho está de volta à seleção brasileira masculina de
basquete para a disputa do torneio Pré-olímpico, que acontecerá
entre os dias 22 de agosto e 2 de setembro em Las Vegas, nos
Estados Unidos.
Um dos destaques da franquia do Arizona, Leandrinho quer
agora brilhar com a camisa verde e amarela na competição que
premiará os dois finalistas com a classificação para os Jogos
de Pequim-2008. A meta do jogador, assim como de toda a seleção
nacional masculina, é pôr fim ao jejum de 12 anos sem participações
olímpicas. Para isso, o atleta confia no conhecimento adquirido
por ele mesmo e pelos compatriotas que atuam na NBA. “A experiência
que estamos ganhando lá é muito boa e, agora, queremos colocar
esse conhecimento em prática por aqui”, projetou.
Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.Net, Leandrinho
criticou a situação por que passa o basquete masculino brasileiro,
mas previu uma melhora caso a seleção, comandada pelo técnico
Lula Ferreira, consiga uma das vagas disponíveis em Las Vegas
para as Olimpíadas pela primeira vez desde 1996, nos Jogos
de Atlanta, ainda com Oscar Schmidt. “Queremos com a nossa
classificação para as Olimpíadas fazer o basquete brasileiro
evoluir”, afirmou.
Eleito melhor sexto homem da temporada 2006/07 da liga norte-americana,
Leandrinho também falou sobre a expectativa de sua quinta
época na NBA. Com um discurso humilde, o brasileiro não escondeu
o desejo de agarrar a vaga e deixar para trás a marca de ‘melhor
reserva’, para se tornar titular de um dos times mais fortes
da liga norte-americana. Além disso, ainda elogiou o trabalho
feito pelos compatriotas Nenê Hilário, Anderson Varejão, Rafael
‘Baby’ Araújo e Marcus Vinícius na principal competição do
basquete mundial.
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Passos até a Liga |
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Leandrinho deixou o Bauru Tilibra em 2003 para se inscrever
no draft da NBA e foi o 28º escolhido do recrutamento
daquele ano. Selecionado pelo San Antonio Spurs e negociado
em seguida com o Phoenix Suns, o jogador de 24 anos
se tornou um dos xodós da torcida da franquia do Arizona,
que o apelidou de Speedy González, em referência
ao personagem homônimo do desenho animado Ligeirinho.
O sucesso do brasileiro no basquete norte-americano
não tardou a aparecer. Logo em sua primeira temporada,
Leandrinho foi titular em 46 dos 70 jogos da equipe
na competição, marcando 550 pontos (média de 7,8 por
partida). Na temporada seguinte, contudo, não conseguiu
manter o bom ritmo e caiu para a reserva da equipe.
Mas foi na época 2006/07 que o armador viveu seu melhor
momento na carreira. Embora tenha sido reserva em 62
dos 80 confrontos dos Suns na temporada, Leandrinho
teve média de 32 minutos em quadra ao longo do torneio,
marcando 1.444 pontos (18,05 por jogo). A conseqüência
do desempenho foi o prêmio de melhor reserva da liga
(sexto homem), tornando-se o primeiro brasileiro da
história a receber uma condecoração individual na NBA.
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Gazeta Esportiva.Net: Você foi o primeiro jogador brasileiro
da história a receber um prêmio individual na NBA, justamente
em uma época em que muitas portas estão se abrindo para o
basquete do país. Até que ponto isso pode ajudar a levar mais
atletas nacionais para atuar nos Estados Unidos?
Leandrinho Barbosa: O prêmio foi muito importante para
mim, trabalhei muito para ganhá-lo e todos do time me ajudaram
bastante. Mas não só isso pode ajudar os jogadores brasileiros,
e é importante falar da campanha que todos os brasileiros
vêm fazendo na NBA. Desde que o Nenê entrou, a Liga vem olhando
os jogadores do país de outra maneira. Esse rendimento que
estamos apresentando por lá está sendo muito bom e queremos
dar continuidade a esse trabalho. Temos muitos talentos aqui
no Brasil, mas que não são reconhecidos. É muito difícil de
eles irem para os Estados Unidos, e a forma mais fácil é a
seleção brasileira.
GE.Net: Como você avalia o desempenho dos outros brasileiros
na NBA?
Leandrinho: Eles estão indo muito bem. Todos nós estamos
trabalhando para isso e somos bem vistos nos Estados Unidos.
Todos que estão lá tentam dar o melhor, trabalhando muito
para sempre evoluir. O Marquinhos está chegando agora no time
dele (New Orleans/Okla city Hornets) e depende apenas do próprio
trabalho para conseguir o seu espaço no time.
GE.Net: E quanto ao Tiago Splitter, recém-draftado pelo
San Antonio Spurs? Ele pode ter o mesmo sucesso que você,
Nenê e Varejão estão tendo?
Leandrinho: O Splitter é um bom jogador, bem experiente.
A Europa é um centro bem diferente da NBA, mas tenho certeza
de que ele vai se dar muito bem nos Estados Unidos. Foi escolhido
por um time muito bom, que foi o campeão da última temporada.
Se Deus quiser, as coisas vão dar muito certo para ele.
GE.Net: A ida de jogadores brasileiros para a NBA melhora
o nível da seleção?
Leandrinho: Com certeza. A experiência que estamos ganhando
lá é muito boa e, agora, queremos colocar esse conhecimento
em prática por aqui. Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Temos
um time bem forte e precisamos aproveitar essa oportunidade.
GE.Net: Mas por outro lado, não fica mais difícil de o
atleta poder representar o país, em relação às barreiras burocráticas
que a liga impõe, como por exemplo o seguro?
Leandrinho: Não atrapalha os jogadores, pois é um problema
da CBB. Mas tenho certeza de que eles estão fazendo um bom
trabalho para reconciliar todos os atletas. Até agora vem
dando tudo certo.
GE.Net: Você passa grande parte do ano nos Estados Unidos.
Mesmo assim, consegue acompanhar as competições que acontecem
no Brasil?
Leandrinho: É muito difícil, porque temos muitos jogos
e viajamos bastante. Fica complicado acompanhar, mas sempre
que dá eu vou na internet e vejo como está o esquema por aqui.
GE.Net: E como você avalia o nível da modalidade?
Leandrinho: Está fraco. Queremos fazer com que a nossa
classificação para as Olimpíadas faça o basquete brasileiro
evoluir. Vamos torcer para que isso aconteça.
GE.Net: Diferentemente de outros jogadores como o Nenê,
você não toma partido nas batalhas políticas com a CBB. O
que acha disso?
Leandrinho: Não é bom, não é o que a gente quer ver, mas
infelizmente aconteceu. Nunca tive problemas com a CBB e não
tenho muito o que falar. O que a gente quer é esquecer o passado
e viver o presente e o futuro.
GE.Net: O grupo todo está muito otimista com as chances
de a seleção brasileira conseguir uma das vagas para Pequim-2008.
E quanto ao desempenho nas Olimpíadas, já há alguma expectativa?
Leandrinho: O que a gente quer é conseguir a vaga, independentemente
de sermos os campeões ou os vices. Só depois vamos pensar
em Pequim. Antes de tudo vem a classificação, que vai ser
difícil, mas não impossível. Estamos aqui trabalhando forte
e temos que aproveitar essa força.
GE.Net: Você não foi liberado pelo Phoenix Suns para disputar
o Pan, mas mesmo assim compareceu na Arena Olímpica para assistir
a alguns jogos. Como avalia o desempenho da seleção?
Leandrinho: Os meninos fizeram um bom trabalho, assim
como a comissão técnica. O conjunto foi muito bom, gostei
de ver. Agora, queremos dar continuidade a esse trabalho no
Pré-olímpico.
GE.Net: O Brasil tem condições de sediar os Jogos Olímpicos?
Leandrinho: É o que a gente quer. O sonho de todo jogador
de basquete e todo torcedor é ter uma Olimpíada no país. Vamos
torcer para que isso aconteça.
GE.Net: Qual a sua expectativa para a próxima temporada
nos Suns? O Raja Bell, titular na sua posição, passou por
uma cirurgia. É a sua chance de enfim ser titular?
Leandrinho: A cirurgia do Raja Bell não foi muito séria,
e tenho certeza de que ele vai se recuperar rapidamente e
se juntar novamente ao grupo. Mas se o técnico me colocar
na quadra, vou dar o meu melhor para ajudar o time. |