| Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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Das pizza e esfihas a recorde continental
e pódio no Mundial
Jadel Gregório não seguia o estereótipo do atleta ideal: gostava
de baladas e tinha sérios problemas para manter a forma física.
Como morava sozinho exagerava em algumas refeições e acabava abusando
de pizzas e esfihas.
Mas sua vida deu uma guinada radical quando conheceu a fisioterapeuta. Samara Abdul Ghani, que assina hoje também Gregório
e é sua mulher. Com ela, o triplista tem dois filhos: Jade
e Sahara e trocou a vida e os treinos em São Paulo pela cidade
inglesa de Gateshead.
Com 2,02m, o peso ideal do atleta é 101kg, mas ele dificilmente
sai da casa dos 103kg, o que, segundo o próprio triplista,
pode fazer a diferença em uma prova. Entretanto, esse problema
não foi suficientemente relevante para tirar dele algumas
das melhores marcas do mundo a partir de 2003, ano que mudou
a carreira do atleta. Em janeiro, ele era o sétimo melhor
do mundo, mas chegou a dezembro como o segundo nome da prova,
atrás apenas do sueco Christian Olsson.
Um de seus melhores resultados foi observado nos Jogos Pan-americanos
de Santo Domingo, quando foi vice-campeão atrás apenas do norte-americano
Kenta Bell. Com 22 anos, ele ainda tinha muito a evoluir. E provou
isso em 2004. O atleta melhorou suas marcas significativamente e
bateu várias vezes seu recorde pessoal. No Troféu Brasil, no início
de junho, depois de ser vice-campeão mundial indoor, ele saltou
17,72m no estádio Ícaro de Castro Mello, que o deixou até pouco
antes das Olimpíadas com a melhor performance do mundo no ano.
"Estou trabalhando muito forte e acredito que posso brigar
por uma medalha de ouro em Atenas. Quero fechar a temporada
que vem no primeiro lugar do ranking da IAAF (Associação Internacional
das Federações de Atletismo)", contou. Mais tarde ele chegou
a dizer que "pódio é certeza".
Pela marca obtida no Troféu Brasil, o atleta recebeu um quilo
de ouro de seu patrocinador e mais meio quilo por causa do
vice-mundial indoor, totalizando uma premiação de quase R$
58 mil.
Ambicioso, Gregório embarcou para Atenas com a certeza que subiria
ao pódio: ficou em quinto e sua vida começou a mudar
novamente. Em março de 2005, seis meses após o início
do namoro com Samara, Jadel casou com a fisioterapeuta de família
muçulmana sunita.
Convertido ao islamismo, o triplista seguiu o exemplo do boxeador
Cassius Marcellus Clay Jr., que mudou o nome para Muhammad Ali.
Jadel tirou o L final do prenome e tornou-se Jade Abdul Ghani Gregório
na carteira de identidade e no passaporte. A denominação
antiga, porém, foi mantida para as competições.
Logo após o Mundial em Helsinque, no qual terminou em sexto
lugar, trocou as preparações no Brasil para treinar
na Inglaterra com Peter Stanley, ex-técnico do recordista
mundial John Edwards. O primeiro filho, que leva o nome muçulmano
do pai, nasceu no ano seguinte. A caçula Sahara nasceu em
junho.
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