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Djalma Santos
vira beque de fazenda
Por Ferrnão Ketelhuth
Ex-craque coordena o projeto ‘Bem de Rua, Bom de Bola’, do qual participam 4.230
crianças de Uberaba
Todos os domingos a cena se repete. Djalma Santos
se levanta às 7h da manhã, coloca um par de chuteiras dentro de uma sacola e dirige
cerca de 5 km até o Clube de Campo de Uberaba (MG), localizado às margens do Rio
Grande. Ali, disputa um torneio com outros 80 veteranos, todos acima dos 40 anos.
Após cumprimentar cada um de seus dez companheiros de time, definidos
previamente por sorteio, entra no gramado, caminha em direção à grande área. Sim,
o maior lateral-direito brasileiro da história transformou-se, aos 72 anos, num
beque, digamos esforçado. “Na zaga, eu pelo menos dou meus balões para cima”,
brinca Djalma, que hoje, além de ‘bater sua bolinha’, coordena o projeto “Bem
de Rua, Bom de Bola”, do qual participam 4230 crianças de Uberaba. “Mas só joga
bola quem estivem bem na escola”, avisa. O trabalho com jovens é rotina
na vida de Djalma desde 71, ano em que encerrou sua carreira profissional. De
lá para cá chegou a treinar equipes juvenis na Arábia Saudita, por quatro meses,
e na Itália, onde morou por mais de um ano. Antes, foi técnico do Atlético-PR
e de um time na Bolívia. “Mas sempre preferi trabalhar com jovens. Eles são mais
disciplinados”, diz. Djalma comanda o projeto “Bem de Rua, Bom de Bola”
há 9 anos e meio. A cada dia da semana, visita pelo menos um dos 15 campinhos
nos quais as crianças jogam. Dez deles ficam na várzea e outros cinco são de futsal.
“É um projeto muito bonito”, orgulha-se. Críticas mesmo Djalma faz apenas
aos laterais brasileiros. “Hoje temos apenas o Cafu e mais ninguém. Bem diferente
de um tempo atrás, quando tinha o De Sordi, eu e mais um monte.” O culpado pela
escassez de laterais? “O próprio futebol mudou muito, perdeu o brilho. Não há
mais aqueles duelos entre laterais e pontas. Hoje, o lateral é ala.”
Sobre a situação da seleção brasileira, o ex-jogador se mostra mais otimista.
“Vamos nos classificar”, diz. “O Scolari é um técnico competente e aguerrido,
e só precisa de tempo para trabalhar”.
| Raio-X |
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| Nome:
Djalma dos Santos Nascimento: 27/02/1929, em São Paulo
Clubes em que atuou: Portuguesa, Palmeiras e Atlético Paranaense.
Titulos: Campeão mundial nas Copas de 58 e 62 e Pan-americano
em 52 pela Seleção Brasileira. Bicampeão da Taça Brasil em 60 e 67 pelo Palmeiras
e do Rio-São Paulo em 52 e 55 pela Portuguesa. Em 65, voltou a conquistar o título
do Rio-São Paulo, dessa vez pelo Palmeiras. Tricampeão paulista em 1959,63 e 66
pelo Palmeiras e paranaense em 1970 pelo Atlético. Foi o primeiro brasileiro a
integrar uma seleção da Fifa (63). Eleito duas vezes melhor lateral-direito em
Copas do Mundo (58 e 62). |
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