Agressão, revolta e falsificação: os papelões dos Jogos
Por Felipe Held, especial para a GE.Net
Foto: AFP |
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| Inconformado, o cubano Angel Valodia Matos agrediu e tirou sangue do árbitro sueco Chakir Chelbat |
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| Também bravo com a decisão da arbitragem, o sueco Ara Abrahamian, da luta greco-romana, atirou no chão sua medalha de bronze e foi destaque negativo |
Pequim conseguiu realizar uma edição das Olimpíadas quase perfeita, sem problemas antes preocupantes – como a poluição, protestos políticos a favor do Tibete, a censura a determinados sites de internet. Os Jogos conseguiram até evitar que o princípio de conflito armado entre Geórgia e Rússia, que estourou na Europa um dia após a Cerimônia de Aberturas, influenciasse o desempenho dos atletas das duas nações.
Nem por isso, contudo, o espírito olímpico reinou na capital chinesa durante os 19 dias do maior evento esportivo do mundo, e alguns acontecimentos lamentáveis foram presenciados pelo mundo inteiro.
O caso que mais chamou a atenção e teve repercussão mundial aconteceu no penúltimo dia das Olimpíadas, na disputa da medalha de bronze da categoria até 80 kg do taekwondo. O cubano Angel Valodia Matos vencia a luta contra o cazaque Arman Chilmanov por 3 a 2 e, a sete segundos do encerramento do combate, pediu o atendimento médico de um minuto alegando dores no pé.
Mesmo depois de avisado de que os 60 segundos máximos de paralisação permitidos estavam chegando ao fim, Matos não percebeu quando o tempo estourou e, enquanto se levantava, foi considerado perdedor pelo árbitro sueco Chakir Chelbat. Chilmanov iniciou a comemoração pela vitória e sequer percebeu que o cubano tentara agredi-lo.
Embora não tenha conseguido açoitar seu adversário, o taekwondista caribenho não passou em branco: acertou um chute no rosto de Chelbat e, ao mesmo tempo em que era contido pelos outros árbitros, ainda socou um dos oficiais no peito. A punição a Matos veio rapidamente, e o cubano foi banido de competições internacionais.
Outro exemplo de pouquíssimo espírito olímpico foi protagonizado pelo sueco Ara Abrahamian, da luta greco-romana. O lutador escandinavo não havia se conformado com a eliminação da disputa do ouro em sua categoria e, ainda que tenha subido ao pódio para receber o bronze, atirou a medalha ao chão assim que a cerimônia de premiação terminou. Como punição, o Comitê Olímpico Internacional (COI) cassou o prêmio de Abrahamian.
Fora do âmbito esportivo, uma farsa da cerimônia de abertura veio à tona poucos dias depois do grandioso evento de 8 de agosto. Selecionada para cantar a Ode à Pátria no início oficial dos Jogos, a menina Yang Peiyi, de sete anos, foi vetada de aparecer para o mundo inteiro para representar a China porque os organizadores a consideraram feia: era gorducha e tinha os dentes tortos.
A voz de Peiyi foi ouvida durante a cerimônia, mas quem apareceu diante das câmeras foi Lin Miaoke, de nove anos, que apenas fez um playback. “Acho que fomos justos com as duas meninas e ainda juntamos uma voz perfeita a uma imagem perfeita. E, além disso, ainda tivemos um show incrível”, tentou se justificar Chen Qigang, diretor musical do cerimonial de abertura dos Jogos.
Talvez como punição do destino pela farsa, os chineses tiveram sua maior decepção no mesmo estádio olímpico em que foi realizada a cerimônia de abertura. Na prova dos 110m com barreiras, o campeão de Atenas-2004 e maior ídolo do país, Liu Xiang, apareceu mancando, com uma lesão que o impediu até mesmo de largar. Depois, o atleta e seu treinador foram às lágrimas, pedindo desculpas por ter escondido uma lesão tão grave dos torcedores que haviam lotado o Ninho do Pássaro.
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