Com brilho do ouro, Maurren salva a honra do atletismo
Marta Teixeira
Foto: AFP |
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| Maurren em seu vôo de 7,04m no salto em distância |
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| Sumiço da vara colocou Fabiana Murer na 5ª colocação |
Modalidade mais tradicional dos Jogos Olímpicos, o atletismo foi cheio de momentos especiais em Pequim. Para o Brasil, ficou um em particular: o ouro de Maurren Maggi no salto em distância.
O título, primeiro de uma brasileira em Olimpíadas, tornou-se símbolo da melhor campanha feminina da história nacional e consagrou a volta por cima de uma atleta que superou vários obstáculos para retornar ao topo. Aos 32 anos, Maurren chegou como uma das principais esperanças de pódio brasileiro e nunca se sentiu incomodada com isto. Pelo contrário, encarou o desafio de frente. “É bom saber que estou cotada e que estão reconhecendo meu trabalho”, dizia.
Quase seis anos depois de enfrentar dois anos de suspensão por doping, a paulista de São Carlos voltou a brilhar na cidade onde já tinha sentido o sabor da vitória na Universíade de 2001. “Pequim é minha segunda casa agora”, confessou emocionada após o título. “Foi emocionante ouvir o público comigo, respondendo aos meus chamados com palmas”, diz, lembrando o momento em que saltou 7,04m para garantir o ouro.
Depois de duvidar de sua própria capacidade de atingir novamente os 6,00m, Maurren acredita no futuro, mas prefere ser comedida sobre as expectativas para Londres-2012. “Não sei se vou estar em minha melhor forma, como hoje, mas vou batalhar muito para chegar lá”.
A saltadora foi a única do atletismo brasileiro no pódio chinês, salvando a honra da modalidade que já teve outros 13 medalhistas olímpicos. Mas o Brasil teve ainda outras boas surpresas na competição. Os revezamentos 4x100m masculino e feminino ficaram entre elas. Os dois chegaram perto, mas viram o bronze escapar por frações de segundos. As mulheres, que nem figuravam entre as favoritas, perderam o terceiro lugar por 0s10. Nos homens, a diferença foi de 0s09, revivendo o Mundial de Osaka-2007, quando também encostaram no pódio.
“Não temos mais medo de ninguém. Antes, a gente entrava na pista e só via gigantes do nosso lado. Agora, nossos adversários diminuíram de tamanho”, avisa o velocista Sandro Viana. As mulheres também se motivam para o futuro. “Não vamos desistir”, promete a veterana Rosemar Coelho Neto.
Os técnicos Tânia e Nélio Moura também têm muito o que comemorar. Afinal, foram bicampeões na mesma edição. Além do ouro de Maurren, também ocuparam o lugar mais alto do pódio com o panamenho Irving Saladino, que treinam há três anos.
Mas nem tudo foram conquistas na China. O Brasil teve sua dose de frustrações competitivas, que o digam o triplista Jadel Gregório, falhando em mais uma luta pelo pódio, e Fabiana Murer, protagonista de uma patacoada olímpica.
Atleta do salto com vara, Fabiana teve uma de suas varas extraviada pela organização e precisou improvisar na prova, terminando apenas na quinta colocação. Apesar dos contratempos, ela não desanima. “Estas coisas acontecem só para me fortalecer. Não era meu dia. Não era para ter saltado, mas tenho de continuar a acreditar em mim”.
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