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25/08/2008
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Brasil vai a dois pódios no futebol, mas frustra expectativas
Por Marcelo Belpiede, enviado especial à China

Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto AFP
Sem a disponibilidade de estrelas em boa forma física, Dunga teve de engolir Ronaldinho e uma derrota incontestável por 3 a 0 para a Argentina na semifinal
O futebol brasileiro chegou a Pequim esbanjando confiança na conquista de medalhas de ouro tanto com os homens quanto com as mulheres. As duas equipes saíram premiadas da China, mas a prata alcançada pela equipe feminina e o bronze obtido pelo badalado time masculino ficaram abaixo do que era previsto por torcedores, dirigentes e os próprios atletas.

Pentacampeã mundial, a seleção masculina carregou a responsabilidade de ganhar o primeiro ouro do esporte em uma Olimpíada. Só que a preparação do time foi recheada de problemas. Inicialmente, o técnico Dunga deixou clara sua intenção de contar com nomes importantes de sua equipe principal, mas o zagueiro Juan, o meia Kaká e o atacante Robinho falharam na missão de obter a liberação em seus clubes na Europa. Durante o torneio, jogadores como Rafinha e Diego correram riscos de abandonarem o grupo por uma imposição de seus times na Alemanha.

Portanto, a ordem foi apostar em um ponto de interrogação: Ronaldinho Gaúcho, que vinha de uma inatividade de quatro meses. “Não gosto de trabalhar com suposições. A gente não sabe se, com a presença desses jogadores (Juan e Kaká), o time seria outro. A grande questão é que não conseguimos conquistar essa medalha e o resultado não pode ser revertido”, lamentou o volante Hernanes.

“Foi difícil trabalhar, porque no dia dos jogos eu não sabia até três horas da manhã com quem eu poderia contar”, justifica Dunga, que deixa a China ainda mais pressionado pela falta de bons resultados na temporada 2008. O país já vinha de tropeços em amistosos e compromissos das Eliminatórias da Copa do Mundo.

O carrasco brasileiro em solo chinês foi a rival Argentina. A eliminação dos pentacampeões aconteceu na semifinal, com uma derrota por 3 a 0. Os rivais seguiram para a decisão e conquistaram seu segundo ouro seguido no futebol ao bater a Nigéria, em uma reedição da final de Atlanta-96. O volante Javier Mascherano acabou consagrado como o primeiro nome de seu país a chegar ao bicampeonato olímpico.

Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto AFP
Choro no pódio: Marta não se conformou com o vice

Entre as mulheres, a preparação brasileira foi marcada por uma melhor organização. As jogadoras treinaram e fizeram amistosos nos Estados Unidos e Europa. A campanha brasileira foi sólida. Na primeira fase, o time do técnico Jorge Barcellos terminou em primeiro lugar do grupo F.

Na fase de mata-mata, chegou a exorcizar o fantasma das alemãs com uma goleada de 4 a 1. Mas, de forma inexplicável, a seleção não repetiu o bom futebol na final e acabou superada pelas norte-americanas, que completam três títulos em quatro edições da modalidade em Olimpíadas (o outro ouro ficou com a Noruega, em 2000).

Para o futuro, fica a reflexão sobre a queda de produção do time em momentos decisivos. O Brasil vinha de insucessos nas Olimpíadas de 2004 e na Copa do Mundo de 2007. “Ficarei me perguntando por muito tempo o que aconteceu na final”, admite Marta, a melhor do mundo nos dois últimos anos.

Em contrapartida, o futebol feminino tem um alento para seguir seu caminho. Nos últimos quatro anos, conseguiu resultados superiores ao time masculino em torneios de nível mundial, mesmo com uma estrutura precária no país.

Nas Olimpíadas-2004, as meninas foram prata e os homens sequer participaram. Na Copa de 2006, o time masculino chegou como favorito ao título, mas caiu nas quartas-de-final. Na competição similar, o Mundial de 2007, a equipe feminina foi vice-campeã.

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