Japão mantém reinado sofrido e Brasil decepciona
Por Marta Teixeira
Berço do judô mundial, o Japão manteve sua supremacia no pódio dos Jogos Olímpicos de Pequim, mas não sem alguma dificuldade. Foram 7 medalhas no total (4 ouros, 1 prata e 2 bronzes) contra 8 ouros em Atenas-2004. Com o melhor aproveitamento quantitativo e qualitativo no evento, o Japão teve Cuba fazendo marcação forte com 6 pódios (3 pratas e 3 bronzes) e a China impressionando com 4 medalhas (3 ouros e 1 prata).
O Brasil ficou abaixo de suas expectativas com três bronzes. Contando com dois campeões e um bicampeão mundial no grupo, o judô seguiu para Pequim com a meta de conquistar quatro pódios.
O projeto era trazer pelo menos um ouro e uma medalha feminina. Isso asseguraria uma campanha histórica, pois as mulheres ainda não possuíam nenhum pódio. Além disso, o Brasil teria seu melhor desempenho numérico e qualitativo.
Mas nenhum dos favoritos nacionais atingiu as metas. Campeões do mundo, Tiago Camilo ficou no bronze e Luciano Correa nem foi ao pódio. Prata em Atenas-2004, Camilo concentrava a maior parte das expectativas.
Foi o mesmo com João Derly, bicampeão mundial, e que ainda foi acusado pelo português Pedro Dias de traição. O europeu disse que ele teve caso com uma ex-namorada sua, o brasileiro desmentiu, o português desconversou e a história parou aí.
As boas surpresas vieram da categoria leve com Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro assegurando dois terceiros lugares. Ketleyn, titular da seleção pela primeira vez, conquistou não apenas a primeira medalha do judô feminino, mas também a primeira de uma brasileira em esportes individuais.
Guilheiro fez o pódio da superação. Depois de uma temporada inteira com problemas na coluna, a repetição do bronze de Atenas foi bastante positiva.
Se o Brasil ficou aquém do esperado, Cuba fez o que pôde com sua tradição. Atravessando uma evidente crise esportiva e com a deserção a dois meses dos Jogos da bicampeã mundial Yurisel Laborde, a delegação cubana ainda conseguiu seis medalhas (três pratas e três bronzes), superando de longe os adversários sul-americanos e mantendo-se próxima do Japão.
Os Jogos chineses não foram frustrantes apenas para
os brasileiros. Tradicional Escola do esporte, a Rússia
não venceu nenhuma categoria. “Ninguém pensaria nisso
antes dos Jogos”, lembrou o coordenador técnico das
seleções brasileiras, Ney Wilson, minimizando a frustração
nacional. “Avalio como bom o nosso resultado. Conseguimos
acertar três tiros, mas faltou acertar o centro do alvo.
Foi uma competição atípica”. |