| Uma Olimpíada sob a sombra da suspeita
Por Marta Teixeira
Fotos AFP |
 |
| Nove foram as ocorrências de doping, incluindo a de Chupa Chup, cavalo do brasileiro Bernardo Alves |
 |
| Blonska teve de devolver sua medalha de prata |
Os Jogos Olímpicos de Pequim podem entrar para a história como a edição com maior número de dopings registrados. Para isso, precisa superar os 24 casos detectados em Atenas-2004.
Até o momento, houve nove ocorrências na China, incluindo a de Chupa Chup, cavalo do brasileiro Bernardo Alves. Outras foram da ucraniana Lyudmila Blonska (heptatlo), do norte-coreano Kim Jong Su (tiro esportivo) e da grega Fani Halkia (400m com barreiras). Campeã olímpica em Atenas, Halkia não pôde defender seu título, enquanto Blonska e Su perderam as pratas que haviam conquistado na China.
Até quem não competiu em Pequim ajudou a engrossar a lista. Foi assim com o brasileiro Jaqson do handebol e com o defensor de beisebol Tai-shan Chang, de Taiwan, 11 russos, além de competidores da Índia e da Grécia. Neste último caso, incluindo a velocista Katerina Thanou, que já havia sido excluída em Atenas-2004.
O resultado não surpreende. O Comitê Olímpico Internacional (COI) tinha prometido 4.500 testes durante os Jogos (25% a mais que em Atenas), incluindo nos cinco primeiros de todas as provas, além de exames surpresa. Além de mais numerosos, os exames estão sendo mais específicos, incluindo 800 exames de sangue e cerca de 400 específicos para o hormônio humano do crescimento (da sigla em inglês HGH), extremamente difícil de ser confirmado.
O COI também investiga a existência de uma nova – a quarta – geração de eritropoetina (EPO), cujo efeito principal é diminuir a fadiga. "Certamente, este é um jogo de gato e rato, mas pela primeira vez nós estaremos no mesmo nível do rato", comparou o diretor do departamento médico e científico do COI, Patrick Schamasch. "E espero que o gato fique esperando o rato do lado de fora do buraco".
Por tudo isso, o presidente do COI, Jacques Rogge, acredita que Pequim venha a registrar até 40 casos positivos. Ou seja, mesmo após os Jogos muitos casos ainda podem ser revelados. Que o digam os ex-campeões olímpicos Ben Johnson e Marion Jones.
Johnson perdeu o título dos 100m dois dias depois da conquista em Seul-88 e acabou banido em Montreal-93. Jones devolveu as cinco medalhas que conquistou em Sydney-2000 e também foi banida no ano passado. Ele pelo uso de estanazolol e ela por EPO, substância virtualmente não identificável até o escândalo do laboratório Balco, em 2005.
“A luta por uma Olimpíada limpa não significa que não haverá consumo de drogas, mas, com certeza, nós descobriremos os infratores”, promete o membro da comissão antidoping de Pequim, Chen Zhiyu.
|