| Mesmo com surpresas, vôlei se mantém no topo
Por Carolina Canossa
Fotos: AFP |
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| Substituto de Ricardinho no elenco, Bruninho sofreu com a prata após derrota para os norte-americanos |
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| Com ajuda psicológica, meninas ganharam ouro inédito |
Um ouro, duas pratas e um bronze. Este foi o saldo do vôlei brasileiro indoor e de praia nas Olimpíadas de Pequim. Juntas, as duas modalidades foram responsáveis por pouco mais que 25% das medalhas conquistadas pelo Brasil nas Olimpíadas de Pequim. Até aí nenhuma surpresa, visto que o vôlei é um dos poucos espaços do esporte no qual o país pode se orgulhar de ter chegado e se mantido entre os melhores do mundo.
Melhor do mundo, aliás, é um grito que finalmente as meninas da seleção feminina de vôlei puderam tirar da garganta. Extremamente criticadas nos últimos quatro anos, às vezes de forma justa, outras nem tanto, elas deixaram para trás os fantasmas das incríveis derrotas na semifinal de Atenas e nas decisões do Mundial-2006 e do Pan-2007 ao fazer uma campanha irrepreensível, com apenas um set perdido em oito jogos.
“Eu me sentia em débito com o povo brasileiro. Quando você está a um ponto de poder ter uma prata e a bola não cai, aquilo não passa, é difícil. Mas eu acho que paguei com juros e correções monetárias”, brincou o técnico José Roberto Guimarães. Uma das jogadoras que mais sofreram com a pecha de “amarelona”, Mari se permitiu ao desabafo pela primeira vez em quatro anos: inicialmente, fez um sinal de “cala a boca”. Depois, exaltou o grupo. “Agora, vão ter que nos aplaudir. E de pé”, afirmou a atleta, mostrando a sua medalha de ouro. “Está aqui a prova de que nós poderíamos chegar lá”.
Entre os homens, o sonho da terceira medalha de ouro na história foi barrado pelo maior algoz da Era Bernardinho, os Estados Unidos. Sem conseguir jogar o seu melhor na decisão, o time caiu por 3 sets a 1, fechando a história de uma equipe que colocou seu nome na lista dos maiores de todos os tempos. De 28 torneios disputados, o Brasil venceu 22 e só ficou fora do pódio uma vez, na Liga Mundial 2008.
“Temos de botar a cabeça para cima. Esta medalha não tem gosto de ouro, tem gosto de prata mesmo, mas vale muito porque foi muito suada”, resumiu o levantador Marcelinho, que passou o último ano pressionado pela sombra do ex-capitão Ricardinho, cortado às vésperas dos Jogos Pan-americanos. “Fizemos tudo, tentamos tudo, mas foi prata”, lamentou Gustavo, que se despediu da equipe nacional, assim como o oposto Anderson.
Na praia, o favoritismo de Ricardo e Emanuel, campeões em Atenas, caiu na semifinal diante de outra dupla brasileira, Márcio e Fábio Luiz – na decisão, os dois até resistiram, mas não foram páreos para os bloqueios dos norte-americanos Rogers e Dalhausser. “Ninguém queria este ouro mais do que eu, mas não vou me contentar com o segundo lugar. Quem sabe eu não volto outra vez, cometendo menos erros e vencendo”, afirmou Fábio.
Depois de vencerem a dupla de paraibanos Renatão e Jorge, que defendem a Geórgia, Ricardo e Emanuel acabaram com o bronze. Mesmo êxito não tiveram Renata e Talita, que terminaram o torneio feminino de vôlei de praia com o quarto lugar. Desde a introdução da modalidade no calendário olímpico, em 1996, o Brasil nunca havia ficado fora do pódio entre as mulheres. Sofrendo com a falta de entrosamento, Larissa e Ana Paula foram eliminadas nas quartas-de-final – as duas se uniram às vésperas dos Jogos por conta de uma contusão de Juliana, parceira habitual de Larissa.
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